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A ACUPUNTURA funciona para dores crônicas?

Aqui está o que a ciência diz.

A evidência por trás da Acupuntura como tratamento para condições, como dores de cabeça e nas costas é convincente.

Já experimentei muitos remédios para minha dor crônica e nada funciona. Devo tentar Acupuntura?

Os críticos por diversas vezes rejeitaram os benefícios da acupuntura como sendo puramente um efeito placebo, uma noção que ainda persiste entre uma parte do público. Mas a investigação encontrou muitos benefícios para determinadas condições, incluindo a dor crônica.

Os dados são tão promissores que, em 2020, os Centros de Serviços Medicare e Medicaid, nos Estados Unidos, começaram a cobrir o tratamento com Acupuntura para dor lombar crônica.

Ensaios clínicos nas últimas décadas sugeriram que a Acupuntura pode ser um tratamento benéfico par diversas condições, dentre elas, a doença pulmonar obstrutiva crônica e constipação.

Para determinar se a Acupuntura realmente funciona, os pesquisadores a compararam à “sham” acupuncture (acupuntura simulada com o uso de pontos aleatórios).

A acupuntura é um tratamento composto pela estimulação de locais específicos – ou pontos de acupuntura – no corpo, geralmente com a inserção de agulhas finas. Na medicina tradicional do Leste Asiático, acredita-se que a ativação de pontos de Acupuntura ajuda a restaurar o fluxo de Chi, a energia vital do corpo.

Na acupuntura simulada ("Sham" Acupuncture), o acupunturista insere agulhas aleatoriamente, evitando os pontos de acupuntura estabelecidos.

Da perspectiva do paciente, entretanto, a experiência é essencialmente a mesma, pois não sabe identificar a localização correta dos pontos de acupuntura. E se os benefícios da Acupuntura fossem inteiramente devidos a um efeito placebo, a simulação e a acupuntura verdadeira produziriam resultados semelhantes.

Porém, em alguns casos, eles não o fazem.

Uma meta-análise de 2018 com mais de 20.000 pacientes em 39 ensaios clínicos randomizados de alta qualidade descobriu que a Acupuntura foi superior tanto à simulação ("Sham" Acupuncture) quanto à não realização de acupuntura para dores nas costas ou pescoço, osteoartrite, dores de cabeça e dores nos ombros. Esses resultados perduraram ao longo do tempo – mesmo após 12 meses de tratamento.

A ciência da acupuntura

Persiste algum ceticismo devido à falta de explicação, da perspectiva da medicina ocidental, sobre como funciona a acupuntura. Mas os cientistas começaram a desvendar a resposta: O cérebro.

“As pessoas falam sobre os psicodélicos* remodelando o sistema nervoso. A acupuntura faz a mesma coisa”, disse Richard Harris, professor e presidente do Instituto de Saúde Integrativa Irvine Susan Samueli da Universidade da Califórnia.

*Os psicodélicos promovem a neuroplasticidade através da ativação dos receptores 5-HT2A intracelulares https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/36795823/

Seu grupo conduziu uma série de análises sobre Acupuntura entre pacientes com dor crônica. Eles descobriram que a Acupuntura mudou a atividade cerebral em termos de ativação dos receptores que se ligam aos opióides, que ajudam a controlar a dor no corpo.

A Eletroacupuntura, na qual as agulhas são estimuladas com pequenas correntes elétricas, também impactou a forma como as diferentes áreas do cérebro estão conectadas, essencialmente modulando a rede de dor no cérebro.

Considere o seguinte: em um estudo de 2017 com 80 pacientes com síndrome do túnel do carpo, os cientistas descobriram que a Eletroacupuntura em pontos locais no punho afetado era tão eficaz no alívio dos sintomas quanto o uso de pontos no tornozelo do lado oposto, a distância.

Como poderia ser?

Deixando de lado a recuperação subjetiva, ambos os grupos tiveram melhora na capacidade de transmissão de sinais elétricos do nervo mediano do punho – o que não aconteceu com aqueles que fizeram “acupuntura simulada”. Isto sugeriria que a acupuntura pode atuar localmente onde a agulha é colocada, mas também pode ter a capacidade de atuar em partes do corpo longe desse local.

Uma maneira de isso ocorrer é através do sistema nervoso central. Assim, os cientistas observaram os cérebros dos pacientes usando imagens funcionais de ressonância magnética. Eles descobriram que agulhas no punho e no tornozelo resultaram em mudanças significativas na forma como a estimulação dos pontos era mapeada no córtex cerebral.

Mais pesquisas são necessárias para descobrir como a acupuntura influencia o corpo, mas estudos forneceram evidências convincentes de que é muito mais do que apenas um efeito placebo.

O que são pontos de acupuntura?

O consenso da Organização Mundial da Saúde reconhece 361 pontos de acupuntura padronizados no corpo humano. Os pontos de acupuntura parecem responder a estímulos variados, como pressão, calor e eletricidade.

Ainda há muito para se saber sobre como funcionam os pontos de acupuntura. Alguns estudos mostraram que os pontos de acupuntura tradicionais podem ter uma alta densidade de terminações nervosas e mastócitos. Estimular essas áreas pode levar à liberação de substâncias químicas no corpo (como hormônios) e, por fim, impactar o cérebro.

Reunir o que define um ponto de acupuntura, como eles se relacionam entre si e sua importância fisiológica é uma área crítica de pesquisa financiada pelos Institutos Nacionais de Saúde.

A Acupuntura é segura?

A Acupuntura é geralmente considerada segura quando feita por um profissional bem treinado e com formação adequada.

Complicações graves e fatalidades relacionadas a ela são extremamente raras. Desmaios ou dor no local da inserção da agulha também são pouco frequentes.

Os riscos não são zero, mas podem ser inferiores aos associados a alguns analgésicos.

O que quero que meus pacientes saibam

Algumas pessoas nos Estados Unidos são tendenciosas contra tratamentos não baseados na medicina ocidental. Mas quando médicos e profissionais da saúde sugerem acupuntura aos seus pacientes – o que faço frequentemente para dores ou constipação – não é porque ficamos sem ideias, ou porque estamos à procura de um último recurso. Recomendamos isso precisamente porque os dados são convincentes.

Retirado do artigo de Trisha S. Pasricha, médica no Massachusetts General Hospital, instrutora de medicina na Harvard Medical School e jornalista médica do The Whashington Post

Por Claudia Meirelles (Osteopata e Acupunturista)

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